segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A pirâmide da confiança

Duas amigas estavam em casa, morrendo de tédio.
O que elas fariam numa sexta-feira chuvosa como aquela?
De repente uma delas teva a idéia de montar um castelo de cartas. Não, não seria um castelo qualquer. Seria simplesmente o castelo de cartas mais perfeito já feito na história dos castelos de cartas.
O baralho estava todo espalhado pelo chão. As amigas, super empolgadas, começaram a equilibrar as primeiras cartas.
Foi preciso mais baralhos. A atividade prolongaria-se pelo resto do dia.
Uma delas cansou-se. Os braços doíam-lhe. Ela sentou no sofá e observou a amiga que continuava aquilibrando as cartas incansavelmente.
O recorde seria delas. Já era certo seus nomes sendo divulgados. O canto da sala era perfeito: não passava nenhuma corrente de ar.
A garota no sofá cansou-se até de observar a amiga.
Pensamentos obscuros começaram a nascer.
A outra, que ajeitava o castelo, percebeu a amiga quieta de mais. "Ah", pensou ela, "minha amiga está cansada dessa monotonia". Ela percebeu um resquício de malícia nos olhos da outra, mas sua amiga devia estar pensando longe. Sua melhor amiga era de total confiança.
Era.
Foi só os olhares se descruzarem que a garota do sofá, num pulo só, levantou-se e deu uma rasteira bem dada na pirâmide de cartas.
Assustada, a garota que antes equilibrava, chorava agora.
Ainda faltavam muitos andares para o fim do castelo. Nem na metade ele estava. Mas a base era firme. Era bem montada e estável, até o chute acabar com tudo.
(Todos sabemos que por mais estável que seja o castelo de cartas, o chute é uma força maior e o desmoronamento é inevitável).
Arrependida, a amiga consolou a outra que soluçava. Ela havia traído justo sua melhor amiga. E agora? O que ela poderia fazer para mostrar seu grande sentimento de culpa?
Ela simplesmente não sabia.
Não havia mais o que pensar. O chute já tinha derrubado tudo.
Mas o sonho do melhor castelo não tinha desmoronado.
Elas recomeçaram o castelo. Ergueram a primeira parte da base. Havia um longo caminho pela frente, mas elas deviam recomeçar...
Juntas.