domingo, 15 de fevereiro de 2009

Sonho impossível

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão

É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz

E amanhã se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

(J. Darione e M. Leigh. Versão de Chico Buarque de Hollanda e Ruy Guerra, 1972)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Os dias passam rápido de mais... Há tanto a fazer em tão pouco tempo...
Quando dá tempo de parar, começam a aparecer os pensamentos.... Fadinhas escondidas que começam a dançar ao redor. Logo surgem os demônios, que poluem a mente aberta.
Vontade de gritar...
Sozinha nas noites da cidade pequena, acordo de constantes transes psicológicos. Transes que levam-me para tão longe... longe daqui.
E pensamentos felizes apressam um futuro agora nem tão disante. Porém, logo surgem os pequenos capetinhas, que trazem o presente aos pensamentos... Um presente tão mórbido, tão cru.
E sozinha, imagino o mundo em festa. O meu mundo dança ao som de batidas ritmadas, envolto numa multidão tão desconhecida, tão mascarada, tão infiel.
Gotejam os pensamentos. Acordo.
Conforto-me nos papéis, nas linhas tão vazias, tão preenchidas, tão distrativas... A atenção em cada traço, a lembrança do conforto do teu abraço, minha pessoa tão olvidada então permitem a sucessão dos dias vividos assim. Vividos não. Morridos, pois a cada dia lamurio a perda de tanto tempo.