terça-feira, 28 de outubro de 2008

Relações associativas

- Amorzinho! Vem cá!
- Credo, já te disse quantas vezes pra não me chamar assim? Existe coisa mais brega?
- Desculpa... Mas ei! Vem aqui! Tenho um presente pra você!
- Nossa, obrigada!!.... flores de plástico?!
- Sim, elas são como o nosso amor.
- Imitações baratas e mal feitas?!
- Não... aparentemente eternas...

;~

sábado, 11 de outubro de 2008

Correntes

O pijama não larga o corpo.
As preocupações não largam a mente.
A confusão tomou conta de tudo, a vida atrasa, o tempo corre.
O passado corrói a alma.
Apenas um erro e tantas conseqüências.
O corpo é preso a um quarto abarrotado de leituras, lápis e borracha que precisam ser gastos.
Mas a mente... A mente se perde. Fora do quarto, perambulando por aí, com rumo incerto.
Enquanto isso, o corpo chora, soluça confuso envolto em odor de canela.
Como seguir com corpo e mente tão separados?
A razão agride quem agora só queria estar contigo.

;~

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Folheto de propaganda de produto inútil

Eu estava a ler uns panfletos, umas páginas de cores berrantes com palavras bem escolhidas para parecerem verdade. Penso que nunca tinha imaginado a complexidade de um pedaço de papel. É incrível como ele te manipula!
Cores... ah! Crianças adoram cores. Pegam o papel: "Manhê! Olha que brinquedo lindo na foto!"
Mas a mãe não é criança, ela lê. "Nossa! Que legal! Tenho que pagar apenas 2 reais por mês.... durante 5 anos?! Por um brinquedo? Que mês que vêm estará quebrado, em baixo da cama da minha filha?!"
Normalmente, é nessa hora que a filha faz escândalo no meio do calçadão do centro e como a cena não dá resultado, ela começa a chorar.
Papel colorido. Ó papel colorido, qual a solução? Por que você é tão bonito a ponto de me induzir a pegá-lo, a lê-lo?
É impressionante como o papel sempre diz a verdade! É sério! Ele SEMPRE está certo, porque usa termos tão superficiais, tão fúteis, que até um babuíno manco com diarréia parece mico saudável!!
- "Jesus salva!" - Se eu acredito nisso, vou ficar feliz, e vou ser salva! Como papai dizia: "Papai Noel existe pra quem acredita nele." Mas isso é óbvio: se não acredito, ele não existe. Se acredito, por mais que me digam o contrário, ele existe (ou eu penso que existe, mas se eu não souber.... nem que ele esteja num neurônio meu)
- "O mais barato." - Alguma coisa nessa suposta loja tem de ser mais barata que na outra (durante um pequeno período de tempo, ou simplesmente por ser o único estabelecimento comercial que vende essa inutilidade)
- "Preciso de sua ajuda" - Ah... Clássico email de hacker se aproveitando de quem não usa Cco. "Ó, que palavras lindas, que foto chocante! Um garotinho tão lindinho, tão novinho e já cheio de problemas.... Tão jovem, perdendo a esperança de viver!"
O panfleto mostrava uma moça bonita na capa (photoshop, dããã!!!), segurando um artefato eletrônico bem moderno. A descrição logo abaixo era de pasmar: como um aparelho tão pequeno faz tudo isso?
Garatia de 1 ano. 1 ano e 2 meses depois, você é obrigado a levar o aparelhinho magnífico ao conserto.
A criança que viu a foto chora, quer. A mãe, voz da experiência, reprova, desconfia.
O panfleto continua lá. Contestado ou não.
E o produto?
Ah, o produto continua no mercado. Muda-se o folheto.
Mudam-se as palavras. Elas tocam você! Até mesmo você! Tão "filosófico" cai no poder manipulador das palavras!!!
E o capitalismo faz o produto continuar no mercado... Por mais inútil que seja, ele continua te estorvando. Você vê mais panfletos, se sente culpado: por que não levo pra casa? Será que obedecendo-o ele me deixará em paz? As pessoas comentam, criticam você. Os "outros" só pensam na beleza do panfleto, que mascara a fruta podre.
Já comprou uma laranja verde, e quando foi comer no dia seguinte, ela continuava verde, mas escondia o cheiro e textura pútrida no interior? Eu já.
Por que estes malditos leitores de panfletos continuam lendo.... o panfleto?! Será que ainda não foram enganados o suficiente a ponto de, por eles mesmos, eliminarem esse produto superficialmente verde, mas na verdade podre, do mercado?
Gente... é só um pedaço de papel. Palavras vagas que tocam você. Você sente pena, sente necessidade, sente tudo o que aquele burguês, que fez o panfleto, quer que você sinta!

Enquanto o mundo idolatra o maldito egocêntrico que fez o panfleto, eu continuo resistindo. Quem sabe, um dia, eu caia na conversa fiada dele. Parabéns pra ele! Será mais um materialista feliz!
Ou então, quem sabe (e tomara que assim seja), eu tenha mais sucesso resisitndo às suas palavras e um dia desfrute o sucesso e o prazer de abrir a laranja podre e fazer o mundo inteiro cheirá-la.